Evolução da população

Evolução da população

 

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Indicadores demográficos e evolução da estrutura etária (Pág. 07-36)

Principais indicadores demográficos

Evolução da população mundial

Evolução da população em países com diferentes graus de desenvolvimento

Estrutura etária da população

Fatores que interferem na evolução da estrutura etária da população

Políticas demográficas

Desafios do crescimento demográfico

Estrutura etária da população portuguesa

Retrato síntese da população portuguesa em 2017

Para estudar a população mundial é necessário conhecer o número de habitantes do planeta. Perceber a evolução demográfica do passado é fundamental para perceber como esta evoluirá no futuro e, tanto quanto possível, adotar medidas em prol do bem estar da sociedade. A ciência que se ocupa deste estudo é a Demografia.

 
 

As principais fontes de informação dos estudos demográficos são os Censos, também designados de recenseamentos (recenseamento geral da população[Demografia] Operação administrativa que consiste em determinar o número dos habitantes de um país, de uma cidade, com discriminação de sexo, nacionalidade, profissão, etc.), que se baseiam num vasto número de indicadores demográficos. Estes são realizados, regra geral, de 10 em 10 anos. Em Portugal, o responsável pela contagem da população é o Instituto Nacional de Estatística (INE).

Do vasto número de indicadores demográficos analisados por este organismo destacam-se alguns muito importantes como a natalidade, a mortalidade, a esperança média de vida à nascença ou o saldo migratório.

 

Principais indicadores demográficos:

As características demográficas da população foram variando ao longo dos tempos e apresentam hoje grandes discrepâncias entre os diferentes espaços geográficos. Assim, o recurso a indicadores estatísticos é fundamental para a compreensão das dinâmicas demográficas da população, sobretudo pela análise de indicadores demográficos.

Natalidade - número total de nascimentos vivos ocorridos num determinado período, numa dada população.

Mortalidade – número de óbitos (mortes) ocorridos num determinado território, num certo intervalo de tempo.

 

Crescimento natural – diferença entre a natalidade e a mortalidade. Este pode ser positivo, negativo ou nulo, consoante a natalidade seja superior, inferior ou igual à mortalidade, respetivamente.

Taxa bruta de natalidade – número de nados-vivos por cada mil habitantes, ocorridos num determinado território, num certo intervalo de tempo.

Taxa bruta de mortalidade – número de óbitos por mil habitantes, ocorridos num determinado território, num certo intervalo de tempo.

Taxa de mortalidade infantil – número de óbitos de crianças com menos de 1 ano de idade por 1000 nados-vivos nascidos num determinado território, num certo intervalo de tempo.

Taxa de crescimento natural – diferença entre a taxa bruta de natalidade e a taxa bruta de mortalidade.

Esperança média de vida – número médio de anos que uma pessoa, à nascença, pode esperar viver.

Índice sintético de fecundidade – número de filhos que, em média, cada mulher tem durante a sua vida fecunda (15 a 49 anos).

Índice de renovação de gerações – valor do índice sintético de fecundidade necessário para que as gerações mais idosas possam ser substituídas por outras mais jovens.

Índice de envelhecimento – número de indivíduos com 65 ou mais anos, por cada 100 indivíduos com menos de 15 anos.

Saldo migratório – diferença entre o número de imigrantes (indivíduos que entram) e emigrantes (indivíduos que saíram) num determinado território num certo intervalo de tempo.

Crescimento real ou efetivo – somatório do crescimento natural e do saldo migratório, cujo resultado indica quantos indivíduos há a mais ou a menos, num determinado período, numa dada região.

Evolução da população mundial:

 

Durante muitos séculos, a população mundial aumentou muito lentamente. A partir de meados do século XVIII, registou-se um crescimento significativo. Depois do final da Segunda Guerra Mundial, a população aumentou exponencialmente (de forma muito acentuada). Em 2014 estimava-se que viviviam na Terra cerca de 7,2 mil milhões de pessoas e este número continuou a aumentar até aos dias de hoje. Atualmente, estima-se que vivam na Terra cerca de 7,7 mil milhões de pessoas. Na mesma data, os estudos apontavam que o planeta teria, em 2050, cerca de 9,6 mil milhões de habitantes mas, os estudos mais recentes, apontam para os 10 mil milhões de pessoas (Figura 1).

Evolução da população mundial.
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Figura 1: Evolução da população mundial.

Evolução da população em países com diferentes graus de desenvolvimento:

 

De acordo com a variação das taxas de natalidade e mortalidade criou-se um gráfico que representa a evolução da população, designado por Modelo de Transição Demográfica. Este modelo traduz a transformação de uma sociedade predominantemente agrícola para uma sociedade predominantemente industrial.

Todos os países passam por este modelo, contudo, não se encontram todos no mesmo regime de transição devido a diferentes fatores sócio-económicos (Figura 2).

Modelo de Transição Demográfica.
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Figura 2: Modelo de Transição Demográfica.

Neste modelo identificam-se cinco estádios (momentos) de evolução da população.

Regime demográfico primitivo (Fase 1) - carateriza-se por um crescimento natural muito lento da população mundial, porque, apesar de nascerem muitas crianças, o número de pessoas que morre também é muito elevado. A Taxa bruta de natalidade era muito elevada devido à ausência de planeamento familiar[Saúde] Corresponde ao meio de proporcionar informação às pessoas que lhes permita decidir o número de filhos que querem ter e quando os querem ter. Isto implica o acesso a informação sobre métodos de contraceção e serviços de saúde apropriados que permitam a vivência da sexualidade de uma forma saudável, feliz e segura, bem como o planeamento de uma gravidez e parto nas condições mais adequadas. e de contracetivos, ao casamento precoce (muito cedo), à necessidade de mão-de-obra e ainda ao encorajamento social e religioso. Já a Taxa bruta de mortalidade, que também era muito elevada, devia-se essencialmente à grande vulnerabilidade das pessoas face às catástrofes naturais, à fome provocada pelas más colheitas agrícolas, às precárias condições de vida, às doenças que eram agravadas pelos fracos conhecimentos médicos da época e ainda devido às guerras.

Revolução demográfica (Fase 2) - tem início com a Revolução Industrial[História] Conjunto de transformações profundas ocorridas na indústria inglesa, iniciadas no século XVIII, e que, progressivamente, se espalharam por outros países da Europa, da América do Norte e da Ásia., caracterizada por uma melhoria das condições de vida, de alimentação e de saúde, que contribuíram para a redução gradual da mortalidade. Nesta fase a Taxa bruta de natalidade manteve-se muito elevada devido às mesmas razões da primeira fase, mas à medida que os cuidados de saúde foram melhorando, nomeadamente pela invenção das primeiras vacinas, pela distribuição de água potável ou pela construção de saneamento, a mortalidade, especialmente a infantil, diminuiu, pelo que a população mundial começou a aumentar.

Explosão demográfica (Fase 3) - verifica-se um acentuado Crescimento natural sobretudo devido ao apoio prestado pelos Países Desenvolvidos[Economia; Política] Conjunto de países que passaram pelo desenvolvimento da indústria, cuja população ativa se insere maioritariamente no setor secundário e no setor terciário. aos Países Em Desenvolvimento[Economia; Política] Conjunto de países que ainda não passaram por um processo de desenvolvimento industrial, ou que apenas o iniciaram a partir da segunda metade do século XX, pelo que ainda apresentam uma percentagem muito elevada da população a trabalhar no setor primário., contribuindo desta forma para a melhoria das condições médicas, sanitárias e de alimentação, levando a que, no geral a mortalidade diminuísse imenso. Contudo apesar da natalidade também diminuir, num primeiro momento manteve-se muito elevada o que contribuiu para um aumento populacional muito significativo. Esta fase inicia-se após o final da Segunda Guerra Mundial.

Regime demográfico moderno (Fase 4) - a Taxa bruta de natalidade é reduzida e a Taxa bruta de mortalidade também, tendo como consequência uma taxa de crescimento natural reduzida ou nula. Contribuíram para a baixa natalidade a generalização do planeamento familiar, os casamentos tardios ou a entrada da mulher no mercado de trabalho. Para a redução da mortalidade contribuíram, por exemplo, os bons cuidados médicos ou o abastecimento fiável de alimentos.

Regime demográfico pós-moderno (Fase 5) - alguns demógrafos da atualidade propõem esta quinta fase apesar de existirem dúvidas muito significativas daquilo que poderá acontecer. Poderá acontecer o contrário mas pensa-se que esta fase se irá caraterizar por uma Taxa bruta de natalidade inferior à Taxa bruta de mortalidade, verificando-se um crescimento natural negativo e uma redução da população total.

A desigual evolução demográfica traduz-se em consequências, regra geral negativas, tanto para os Países Desenvolvidos (PD) como para os Países Em Desenvolvimento (PED) (Quadro 1).

 

Quadro 1: Consequências da desigual evolução demográfica
Países Desenvolvidos
População envelhecida
Taxa bruta de natalidade baixa
Elevados encargos com segurança social e saúde
Diminuição da população ativa
Países Em Desenvolvimento
Elevada percentagem de população jovem
Taxa bruta de natalidade elevada
Situações de pobreza extrema
Desemprego

Estrutura etária da população:

Num estudo demográfico é crucial (muito importante) conhecer a estrutura etária, isto é, a distribuição da população por sexos e por idades, já que dela dependem decisões estratégicas e políticas com grandes implicações sociais, de que são exemplo:

- Alteração da idade de reforma;

- Medidas para a criação de emprego;

- Construção de habitações;

- Planeamento de equipamentos coletivos (escolas, creches ou lares de idosos).

 
 

O principal instrumento para se estudar e compreender a estrutura etária de uma população é a pirâmide etária[Demografia] Representação gráfica da composição etária (por classes de idades) e sexual (por sexos) de uma população.. Atualmente podem sem identificadas quatro tipos de pirâmides com características próprias, e que podem ser associadas a diferentes países consoante com o seu grau de desenvolvimento: a pirâmide jovem (ex. Etiópia) (Figura 3), a pirâmide envelhecida ou idosa (ex. Japão) (Figura 4), a pirâmide adulta ou de transição (ex. China) e a pirâmide rejuvenescente (ex. França).

Exemplo de pirâmide etária típica dos Países Em Desenvolvimento - Etiópia.
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Figura 3: Exemplo de pirâmide etária típica dos Países Em Desenvolvimento - Etiópia.

 
 
 

Da análise da pirâmide etária da Etiópia podemos constatar que esta apresenta o seguinte:

- Elevada taxa bruta de natalidade;

- Elevada taxa bruta de mortalidade;

- Reduzida esperança média de vida;

- Reduzida percentagem de população idosa;

- Elevada percentagem de população jovem.

Exemplo de pirâmide etária típica dos Países Desenvolvidos - Japão.
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Figura 4: Exemplo de pirâmide etária típica dos Países Desenvolvidos - Japão.

Em contrapartida a pirâmide etária do Japão apresenta as seguintes características:

 

- Reduzida taxa bruta de natalidade;

- Reduzida taxa bruta de mortalidade;

- Elevada esperança média de vida;

- Elevada percentagem de população idosa;

- Reduzida percentagem de população jovem.

Fatores que interferem na evolução da estrutura etária da população:

São vários os fatores que influenciam a evolução da estrutura etária da população de um país ou região, nomeadamente:

- Natalidade;

- Mortalidade;

- Esperança média de vida à nascença;

- Fluxos migratórios;

- Catástrofes naturais;

- Guerras;

- Epidemias.

Políticas demográficas:

 
 
 

Atendendo às características da sua população os governos/países podem adotar diferentes políticas demográficas. Estas políticas visam estimular ou inibir (aumentar ou diminuir) a natalidade para que se estabeleça um equilíbrio entre a população existente e os recursos disponíveis. Desta forma o governo dos PD e dos PED apresentam políticas natalistas ou antinatalistas consoante os seus interesses (Quadro 2).

Quadro 2: Políticas demográficas
Políticas Natalistas
Aumentar o abono de família em função do número de filhos
Aumentar o tempo de licença de maternidade
Conceder benefícios fiscais a famílias numerosas
Proporcionar assistência materna e infantil gratuita
Políticas Antinatalistas
Divulgar o planeamento familiar
Legalizar o aborto
Apelar ao casamento tardio
Valorizar o papel da mulher na sociedade

Desafios do crescimento demográfico:

O crescimento da população, aliado ao elevado consumo de recursos e à degradação do meio ambiente está a pôr em causa a sustentabilidade do nosso planeta. O maior desafio que se coloca à humanidade é conseguir estabelecer um equilíbrio entre três pontos fundamentais: a evolução da população, o consumo de recursos naturais e a preservação do meio ambiente.

Estrutura etária da população portuguesa:

 
 
 
 
 
 
 
 

Em 1960, Portugal era um país 'jovem'. Apresentava uma base larga e um topo estreito. Esta pirâmide etária refletia o fraco desenvolvimento do país (Figura 5). Em 1981, a realidade portuguesa, e consequentemente, a estrutura etária do país alteram-se significativamente. Ocorreu um estreitamento da base da pirâmide e um alargamento do topo (Figura 6). Em 2011, verificou-se um progressivo estreitamento da base da pirâmide com a redução população mais jovem e um crescente alargamento do topo com o crescimento da população idosa. Registou-se assim um fenómeno de duplo envelhecimento (Figura 7).

Pirâmide etária de Portugal - 1960.Pirâmide etária de Portugal - 1981.Pirâmide etária de Portugal - 2011.
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Figuras 5, 6 e 7: Pirâmides etárias de Portugal nos anos 1960, 1981 e 2011.

A distribuição da população portuguesa também regista diferenças a nível regional. A região do Alentejo e do Centro apresentam um elevado número de idosos. A Região Autónoma dos Acores destaca-se por ser a região com maior número de jovens e de população adulta (Figura 8).

Percentagem da população portuguesa por grupos etários, por NUT II.
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Figura 8: Percentagem da população portuguesa por grupos etários, por NUT II.

 

Retrato síntese da população portuguesa em 2017:

 
 

De acordo com estimativas do INE, a população portuguesa continuou a diminuir e a envelhecer tal como já acontecera nos anos anteriores. São vários os fatores que contribuem para esta tendência como se podem verificar na figura seguinte (Figura 9).

Síntese de indicadores demográficos em Portugal.
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Figura 9: Síntese de indicadores demográficos em Portugal.

 

Referências